Por que atendo virtualmente — e por que, sempre que possível, priorizo o presencial

Reconheço o peso do argumento a favor do atendimento presencial — é uma posição que boa parte da tradição psicanalítica sustenta e que se faz necessária. Há algo no corpo, no espaço compartilhado, na presença física de duas pessoas numa mesma sala, que a tela não reproduz, e isso é algo que aprendemos na nossa análise pessoal.

O desejo de atender online veio da minha experiência como paciente. Morando na Holanda, tive dificuldade em encontrar um analista que pudesse me atender em português. Fazer análise em inglês estava fora de questão. Já sentia falta da minha língua materna no cotidiano; na análise, então, nem pensar. Com um círculo social ainda pequeno, passei bastante tempo procurando online. Fiz contato com sociedades de psicanálise em diferentes países da Europa pedindo indicações sem sucesso. Quando passei a procurar profissionais no Brasil, demorou até que eu encontrasse um profissional que concordasse em começar um atendimento virtual desde o primeiro encontro.

Esse foi o cenário que me fez decidir oferecer esse tipo de atendimento como analista. Ele mudou bastante desde então, principalmente após a pandemia — mas o acesso a analistas que atendem na mesma língua e fuso horário ainda é limitado. Por outro lado, hoje é possível alugar um espaço acolhedor e de fácil acesso por sessão, o que permite que combinemos sessões virtuais e presenciais sempre que houver disponibilidade.

Por isso, o atendimento virtual, para mim, não é uma versão reduzida do trabalho analítico. É uma resposta a uma dificuldade real, que eu mesma vivi — e uma aposta de que, mesmo à distância, é possível sustentar um espaço analítico.

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